Boletim nº 3 - 4ª semana de maio de 2009.
18 de maio de 2009.
Contabilista -
A influência dos profissionais de
Contabilidade e Governos no sucesso dos Micro e Pequeno Empreendimentos.
Quanto é
necessário faturar para poder, ao menos, pagar todos os compromissos da
empresa? Esta dúvida é muito comum quando se pretende ter uma noção da
situação econômica e operacional da empresa, ou quando se quer iniciar uma
determinada atividade empresarial.
Convém lembrar que uma grande parte das micro e
pequenas empresas trabalham num mercado de concorrência perfeita em que quem
determina o preço não é o empresário e sim o mercado.
Por isso, sempre que possível, deve-se analisar a
atuação da concorrência, observando suas estratégias financeiras, comerciais
e mercadológicas. A primeira ação é a de identificar os concorrentes diretos
e suas estratégias de atuação no mercado. Podemos começar definindo-os pela
delimitação física, e, em seguida, pelo mix de produtos ou serviços, pela
similaridade de produtos ou serviços, promoções, formas de atendimento, etc.
É preciso também, conhecer preços e a qualidade dos produtos dos
concorrentes através de mapas, observando fornecedores e suas referências.
Certamente, o empresário que possua uma certa quantidade de informações
estratégicas estará munido de ferramentas bastante significativas para
agregar valor à desafiadora tarefa de formação de preços.
Como muitos micro e pequenos empresários, não conseguem
fazer com que suas empresas tenham sucesso, a maioria chega a falência nos 2
primeiros anos de sobrevivência.
Uma das causas está alocada na formação do preço de
venda, alguns empresários elaboram os preços de seus produtos apenas
aplicando uma porcentagem simples sobre os mesmos, quando na verdade não é
tão simples assim, pois na realidade o custo de venda da mercadoria é a soma
de todos os custos que a empresa incorre para realizá-la. É a soma de
todos os percentuais de comissões, ICMS sobre venda, IRPJ, PIS, COFINS, CSLL,
CPMF ou então o SIMPLES .
O SIMPLES permite que as micro e pequenas empresas
recolham em apenas uma guia os seguintes tributos: PIS, COFINS, IRPJ, CSLL,
IPI e INSS relativa à parte do empregador. O tributo é recolhido em escala
progressiva iniciando-se em 3% para ME (Microempresa) e 5,4% para EPP
(Empresas de Pequeno Porte) .
Às vezes, quase nunca, o empresário consegue sucesso,
pois os preços de seus produtos não contemplam os custos fixos nem os
variáveis. Os Custos fixos são os que não variam em função de uma
determinada quantidade produzida de produtos ou serviços. Assim, se a
empresa produz mais ou menos, os custos fixos existirão na mesma proporção.
Na verdade, existem algumas variações nos custos fixos. Isto ocorre quando
se muda a estrutura administrativa, pessoal, técnica, ou até o nível de
atividade da empresa.
Já nos custos variáveis são os que variam em função de
vendas, produção ou serviços prestados. Exemplos: matéria-prima, embalagens,
comissões, impostos de vendas, frete sobre as vendas, mão-de-obra
(diretamente ligada à produção ou prestação de serviços).
Porém existe ainda outro tipo de custos que devemos
levar em consideração, a chamada depreciação. Pode ser considerada como
custo variável (direto) ou custo fixo (indireto) dependerá apenas da sua
participação na composição de custos da empresa.
Os empresários, geralmente os micro e pequenos, não
disponibilizam tempo para trabalhar a área do conhecimento empresarial, ou
seja, fazer cursos de gestão, participar de palestras ou qualquer outra
atividade de agregação ou de reciclagem de conhecimentos empresariais.
Infelizmente os mesmos pensam que basta abrir uma porta e começar a vender
um produto que o lucro vem.
Além de não procurarem por palestras e cursos
empresariais, os empreendedores, não buscam ajuda junto contador, contratado
pela empresa, ou junto ao SEBRAE para serem orientados na condução de seu
negócio.
Muitos empresários vêem os contadores como meros
elaboradores de tributos e guarda livros/documentos e o SEBRAE como
instrumento de consultoria em gestão de grandes empresas e ainda pensam que
seus serviços são pagos. Bom, não são pagos, mas também não são totalmente
gratuitos, pois muitas empresas custeiam esta paraestatal com uma pequena
porcentagem do recolhimento do INSS.
No caso dos profissionais de contabilidade entendo que
estes devem ser mais pró-ativos junto aos clientes, tomando a iniciativa de
fornecer e orientar os micro e pequenos empresários em gerir seu negócio e
no caso do SEBRAE o governo federal vem aumentando a divulgação dos serviços
da entidade em meios de comunicação de grande massa, mas ainda não está
tendo muito sucesso, pois muitas agências da entidade continuam vazias e sem
a procura de seus serviços. Sem uma orientação, muitos empresários nem sabem
o saldo real de seus estoques ou caixa, pois não os controlam adequadamente.
O interesse na busca do sucesso depende muito dos
empresários, mas uma boa parte dos insucessos poderiam ser evitadas com uma
ação mais pró-ativa dos contabilistas e também do governo federal,
estimulando-os a aprender a empreender, buscar informações, estarem sempre
atualizados. Esta falta de cultura do aprender faz com que o empresário não
atente para as novas constantes mudanças de mercado que ocorrem ao seu
redor.
Para trabalhar uma das grandes deficiências da maioria
dos micro e pequenos empresários do comércio é a formação do preço de venda.
Uma importante ferramenta que pode ser utilizada junto a estes empresários é
o MARK UP.
O MARK UP é um índice que aplicado ao custo de um
produto com seu respectivo custo fixo que contempla de maneira prática o
preço real de um produto.
Esta ferramenta só funciona com precisão se o
empresário, literalmente, estiver com a empresa na mão, ou seja, com todos
os controles à disposição em "Real Time" pois sem eles, fica difícil a
absorção de dados para a elaboração da sistemática e aplicação do MARK UP,
além de serem úteis para a tomada de decisões.
Veja, esta é apenas uma ferramenta que pode ser passada
aos micro e pequenos empresários e a conseqüência da aplicação de apenas
esta ferramenta é uma visão mais racional dos empresários nos seus preços de
vendas que sempre visualiza que basta aplicar uma porcentagem sobre o custo
de um produto que o lucro esperado será obtido. Como esta, existem muitas
outras ferramentas de gestão que os micro e pequenos empresários não tem
acesso e nem sabem que existem, e as conseqüências destas ações são:
empresas saudáveis aumentam-se empregos, rentabilizam-se estabelecimentos
comerciais, geram-se mais impostos fazendo crescer o nosso País.
Então, vamos deixar a posição pré-ativa perante os
micro e pequenos empresários, para tomarmos a posição pró-ativa e parceira,
fazendo assim com que estes empreendedores tenham vida longa na estrada
empresarial. Afinal de contas, queremos também ter uma vida longa.
André Luiz Paleari
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