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A DIFÍCIL TAREFA DE ABRIR UMA EMPRESA

            Boa leitura!                                                                               voltar para página inicial

          Montar uma empresa no Brasil não é tarefa das mais fáceis. Como se não bastassem os conhecidos problemas da burocracia e, agora, a ameaça dos efeitos da crise financeira mundial, o candidato a empreendedor sempre se vê diante de um dilema: gastar todo o dinheiro que tem guardado e ficar sem economias ou recorrer a um empréstimo de longo prazo para realizar o sonho de abrir o próprio negócio?

          A segunda opção seria mais vantajosa para quem tem um plano de negócios bem formulado; assim, o empresário não ficaria desprovido de recursos pessoais e a empresa se pagaria com o próprio rendimento. No entanto, conseguir um empréstimo para o início de um projeto no País é praticamente impossível.

          O analista de Acesso a Serviços Financeiros do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de São Paulo, Luiz Ricardo Greicco, é categórico:

          "Hoje, no Brasil, não existe dinheiro para uma pessoa física que queira virar empreendedor. O jeito é recorrer a um sócio, a um parente ou a parte das próprias economias". Em resumo, quem pretende abrir um negócio precisa ser criativo para ter chances de sucesso e planejar minuciosamente as etapas de criação e desenvolvimento da empresa. São cuidados para não afundar o negócio logo no início e, ao mesmo tempo, ficar sem reserva financeira para emergências pessoais.

Bancos

          Se a empresa já está constituída, existem no mercado algumas opções de financiamento para a compra de material ou de máquinas e equipamentos, basicamente ligadas ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

          Grandes bancos que operam no País, ouvidos pela reportagem do Diário do Comércio, informaram que analisam projetos de quem está começando um negócio.

          Mas, na prática, afirma o analista do Sebrae-SP, nem olham os pedidos ou o fazem considerando a solicitação como a de uma pessoa física, oferecendo recursos a taxas de juros exorbitantes.

          Entre os bancos, os que são credenciados pelo BNDES oferecem o BNDES Automático. Essa é uma linha de repasse a projetos de investimento específica para comércio, indústria e o setor de serviços, com juro baixo: Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 1% ao ano e delcredere (juro com base em vendas) entre 3,46% e 5,02%.

          "O problema é que a mesma instituição financeira que está analisando um empréstimo de R$ 20 mil para uma padaria está calculando um empréstimo de alguns milhões para uma companhia gigante como a Votorantim. A quem você acha que os bancos dão prioridade?", questiona Greicco.

Avaliação

          Se essa não é uma opção viável para os micros e pequenos empreendedores, existe também o Proger Urbano Empresarial, do Banco do Brasil, modalidade que utiliza recursos do FAT. Essa linha financia até 80% de reformas, aquisição de máquinas ou veículos para empresas que tenham faturamento bruto anual de até R$ 5 milhões. O valor máximo do empréstimo é de R$ 400 mil, com prazo para pagamento de até 72 meses. E o juro é baixo: TJLP mais 5,33% ao ano, o equivalente a 0,95% ao mês.

          O problema de passar pela avaliação do banco é provar que a empresa pode arcar com o empréstimo. "Ao darmos recursos a um empreendedor, trabalhamos como se o banco fosse sócio dele. Por isso, precisamos acreditar no negócio e na sua capacidade de geração de caixa", afirma o gerente da Diretoria de Micro e Pequena Empresa do Banco do Brasil, Ronaldo Pozza. "Avaliamos o mercado, o produto, os procedimentos de implantação da empresa, o fluxo de caixa projetado e as garantias", acrescenta.

          Quando o interessado já tem um relacionamento com a instituição, isto é, já é cliente do Banco do Brasil, a análise é mais simples e pode levar apenas um ou dois dias, dependendo do valor solicitado. "Se o empresário pede R$ 50 mil para ampliar o negócio e já é nosso cliente, a análise do financiamento requisitado sai em horas.

          Só precisamos ver o projeto e o histórico de faturamento", diz Pozza. "Por outro lado, caso se trate de um empréstimo de R$ 1 milhão, o critério para aprovação do banco é mais rigoroso. Mas não impossível", completa. Nesse caso, a lista de documentos solicitada inclui os pessoais dos sócios, relatório de projeção de investimento e de faturamento, análise de consultoria, entre outros.

          O saldo do Proger Urbano no ano passado (a diferença entre as operações pagas e as liberadas pelo Banco do Brasil) somou R$ 52 bilhões, um crescimento de 31% em relação ao registrado no ano anterior.

Garantias

          Uma das dificuldades que os bancos enfrentam para aprovar empréstimos para os micros e pequenos empreendedores é a falta de garantias. Algumas instituições financeiras aceitam pessoas físicas como avalistas nessas operações, bens dos proprietários do negócio e/ou fiador com recursos líquidos suficientes para quitar o empréstimo.

          A Caixa Econômica Federal, por exemplo, é mais rigorosa e exige também os 12 últimos pagamentos de Declaração de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) do empresário para começar a pensar em dar crédito. Para minimizar o problema das garantias e ajudar os micros e pequenos empreendedores, existem fundos de aval.

          Outra boa opção para o empreendedor de pequeno porte é o cartão BNDES. Ele não serve, no entanto, para o início de um negócio porque oferece, basicamente, a possibilidade de a empresa parcelar a compra de produtos em parceiros registrados no site da instituição (www.bndes.gov.br).

Recursos próprios

          Portanto, para quem quer começar um negócio, só vale mesmo usar os recursos que já tem. Os especialistas em finanças pessoais alertam, entretanto, que o candidato a empresário deve usar o mínimo possível do que tem em caixa para abrir uma empresa. O consultor e autor do livro "Captação de Recursos para Projetos e Empreendimentos", Paulo França, recomenda que esse valor não passe de 30%.

Na prática, isso é difícil.

          O empresário e aquarista Cássio Ramos, por exemplo, tentou não usar todas as suas economias para montar um criadouro de peixes em casa. Mas não teve jeito. Embora não divulgue o investimento que fez em seu negócio (que diz ter sido pequeno), teve que colocar todo o dinheiro que levou quatro anos para juntar na compra de aquários, peixes e comidas. "Ainda vou ter que gastar muito mais com o tempo e conforme a criação for crescendo", diz.

Orientação

          O Sebrae ajuda quem quiser se planejar e orienta sobre o que precisa ser comprado com capital de longo prazo e o que exige capital de giro. "Para montar um restaurante, por exemplo, o fogão industrial será pago com o arroz de todo dia, mas vai demorar dois ou três anos. Então, é melhor que o fogão seja comprado com empréstimo de longo prazo de uma instituição financeira. Já o arroz tem que ser adquirido todo dia, é capital de giro. No começo, tem que ser comprado pelo empreendedor", diz Greicco. O site do Sebrae-SP ( www.sebraesp.com.br ) tem dicas detalhadas para a abertura dos mais variados tipos de negócios.

 

Autor: André Luiz Paleari

 

              

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